Blog do Jorge Maia

Hoje somos 2G, para onde vamos? (img: Freepik)

October 30, 2018 / by Jorge Maia

Hoje somos 2G, para onde vamos?

5G é o que vai habilitar as cidades inteligentes! Esta foi a frase que mais ouvi na CES no início do ano em Las Vegas, excelente frase por sinal, mas isso já é uma realidade necessária? Rastreamento, telemetria e mensageria representam mais de 40 milhões de pontos de acesso móvel junto as operadoras e representam quase 20% do mercado de terminais móveis, todas estas usam, em sua maioria, a rede 2G, fadada ao desligamento em breve, mas sem uma data certeira ainda. Graças aos números, ouve-se nos eventos e bastidores de empresas que o 3G morre antes do 2G, mas isto é claro que não deve ser levado em conta para novos negócios e obviamente tem que ser colocado em pauta nas empresas que usam 2G e redes de dados.

Qual a solução então? A vertical de operação será o fiel da balança e não a tecnologia neste caso. Os nomes do momento são: LoRA, NB-IoT e SigFox, especialistas em “mensagens”.

Recentemente veio o anúncio da Claro de que até o final do ano teremos grande parte da rede NB-IoT ativada no Brasil e em 2019 estima-se ter cobertura em todo o país. Ideal para dispositivos que não ficam trocando de torre, ou seja, para medidores ou dispositivos de telemetria estáticos, esta é uma rede com possibilidades de cobertura dentro de prédios e subsolos. Ela vem para prover conectividade a quilômetros da estação rádio base, ou torre da operadora e segundo especificações deve prover respostas mais rápidas do que LoRa, porém, traz possíveis transtornos para atualização de firmware remotamente, bem como troca de arquivos, ou seja, uma rede focada em mensageria. Vivo e TIM também irão prover o serviço e tem um cronograma para os próximos anos também.

LoRA, um padrão de rádio, baseado em frequência não licenciada, que no Brasil opera em 900MHz, sem passar por operadoras “formais” de Telecom, os dispositivos que adotem esta tecnologia podem se comunicar entre eles por quilômetros com implantação de protocolo personalizado utilizando somente a tecnologia de rádio ou o protocolo padronizado LoRaWAN, que visa a permeabilidade do dispositivo em redes privadas ou públicas em qualquer lugar com cobertura, permitindo o “roaming” do hardware, além de ser uma rede excelente para “rastreamento” usando gateways no caminho. Longa distância, baixo custo do rádio e liberdade de operadoras são algumas vantagens, mas claro que tem possíveis problemas também, a tecnologia LoRa é uma tecnologia proprietária e licenciada somente pela Semtech, não necessariamente um problema, mas uma informação para a balança da decisão. Também é uma “rede” para poucos dados, focada em mensageria e tem uma taxa de transferência menor do que a NB-IoT e uma latência maior.

O Gateway de LoRa, necessário para sua operação, pode ser vantagem ou desvantagem de acordo com o negócio, pois as possibilidades são de definição privada.

Sigfox, é a vedete desta nova estação, uma rede de comunicação LPWAN, com as mesmas possibilidades das anteriores, porém um custo de rádio e de tráfego que beiram uma agressividade jamais vista neste mercado. Focada em mensagens e baseada em um broker, semelhante a NB-IoT e LoRaWAN. Baixo consumo de bateria como os outros rádios e como mencionado com um custo de quase 50% de hardware frente as outras tecnologias. Como problemas, temos uma operação determinada por uma única operadora e que define a cobertura de acordo com a demanda. Esta problemática só pode ser contornada se a escolha for LoRA com gateway próprio, outra problemática pode ser o número de mensagens de retorno e envio, uma vez que o valor cobrado é baseado em mensagens com números reduzidos. Novamente, de acordo com o seu caso de uso, isto pode até se encaixar no requisito de comunicação do dispositivo.

Temos muito para falar sobre a escolha ideal, mas uma certeza é que já existe hoje a solução de comunicação para seu projeto com o custo adequado. Outra certeza é que se você escolher errado, o custo de voltar atrás pode render a vida do produto e/ou sua competitividade.

Texto: Jorge Maia

Comentários